16 setembro 2017

PASTORES DIVORCIADOS – CAMINHO SEM VOLTA - VERGONHA PARA IGREJA

Resultado de imagem para imagens sobre adulterio pastoralReplicando artigo já publicado.
Tenho observado com muita tristeza e indignação a nova tendência de pastores divorciarem por qualquer motivo e insistirem em permanecer nos púlpitos, igrejas e ministérios como se nada tivesse acontecido. Uma das características do ministério pastoral é o pastor ser marido de uma só mulher. Deus em sua santa Palavra se pronuncia contra o divórcio várias vezes e mesmo assim aqueles que deveriam dar exemplos de boa convivência familiar vivem o contrário daquilo que pregam e ensinam. Isso faz com que o ministério pastoral seja alvo de pessoas menos qualificadas, com passados conturbados e um presente angustiante tentando ancorar suas vidas derrotadas no porto do ministério pastoral. As igrejas, por sua vez, ao aceitarem tais comportamentos estão cedendo espaço para o mundanismo e mesmo acolhendo o pecado onde deveria haver santidade. Sei que ao abordar tal tema mexerei em caixa de marimbondo e desagradarei a muitos, mas como este comportamento está se tornando em exemplo para muitos jovens pastores, creio que algum contra ponto deva ser manifestado.
Por que o pastor não deve ser divorciado?
Quero ressaltar que escrevo sobre pastores que divorciaram porque cometeram adultério ou mesmo abandonaram seus lares para formarem outros sem base bíblica para tal. Outros casos de divórcio serão analisados em outro momento.
1.     Porque Deus não favorece o divórcio.
Lemos em Mal. 2:16 uma clara reprovação do Senhor. Isso deveria bastar para um cristão normal, muito mais para um que foi “chamado” por Deus. Deus em sua Palavra aponta para uma liderança sólida e esta solidez tem seu alcance na vida familiar. O plano de Deus é que os pastores sejam exemplos de vida familiar.
2.     Porque os pecados sexuais mancham o povo de Deus.
O pastor longe de manchar o povo de Deus deve cuidar dele com o amor de pai ou mãe. Esse é retrato claro que o apóstolo Paulo apresenta em I. Ts. 2:7; 11 “Antes fomos brandos entre vós, como a ama que cria seus filhos. Assim como bem sabeis de que modo vos exortávamos e consolávamos, a cada um de vós, como o pai a seus filhos”. Sendo o pastor um líder na igreja qual a melhor qualificação teria senão a liderança espiritual em sua própria família? Se quisermos conhecer um homem e sua liderança, se ele vive uma vida exemplar, se ele é coerente, se pode ensinar, exemplificar a verdade, conduzir as pessoas à salvação, à santidade e ao serviço de Deus, então observe os relacionamentos mais íntimos de sua vida e veja se ele consegue cumprir essas coisas. Observe sua vida familiar. Aí você tem a fonte de boas informações. Muitos homens trabalham duro na obra de Deus, mas não conseguem levar seus filhos a uma vida de piedade e temor ao Senhor. Tais homens não se qualificam para o ministério pastoral, pois o ministério pastoral é um processo de paternidade em que o pastor deve ser capaz de liderar seu povo tanto por meio de sua vida como através de seus preceitos e a igreja necessita de alguma indicação que isso ocorre com seus pastores e esta indicação é o lar.
Para a maioria dos homens a família é a arena em que se pode avaliar a liderança espiritual. Um pastor que destrói sua família através de pecado sexual está destruindo a si mesmo.
3.     Porque a moralidade sexual é o padrão para o ministério pastoral.
Na carta de Paulo a Tito está escrito: “Aquele que for irrepreensível, marido de uma mulher, que tenha filhos fiéis, que não possam ser acusados de dissolução nem são desobedientes”. Aqui vale destacar que no grego a expressão “marido de uma só mulher” quer dizer literalmente: “homem de uma só mulher”. Aqui está uma afirmativa paulina enfática e aguda. “homem de uma só mulher”, deve ser padrão para o ministério. Mas como preencher esta característica se o pastor caiu em adultério, divorciou-se e contraiu novo matrimônio? O pastor deve ser o primeiro a dar o exemplo de moralidade para sua congregação e isso com um testemunho robusto de uma vida familiar saudável. É incompatível imoralidade com ministério pastoral. Fica evidente que a capacidade de um homem em conduzir o próprio casamento e lar indica sua capacidade de administrar a igreja local (I. Tm. 3:4-5).
4.     Porque a imoralidade sexual desqualifica para o ministério pastoral.
A Bíblia ensina claramente que se alguém falha no campo da moralidade sexual está desqualificado de vez para o ministério pastoral. Com certeza, queremos que aqueles que caíram em pecado sexual sejam restaurados para o Senhor e a comunidade, mas as qualidades ou qualificações bíblicas exigidas de alguém que pregue a Palavra de Deus e seja identificado como pastor excluem dessa função em uma igreja que deseja agradar a Deus.
Muitos acham que se os pastores que caíram em pecado se arrependerem e pedirem perdão a Deus, tudo estará resolvido. Ledo engano. O perdão de Deus não traz de volta a qualificação ou as qualidades obrigatórias para o ministério pastoral. A primeira qualificação que Paulo aponta para aquele que deseja ser pastor é ser irrepreensível. Irrepreensível no grego é anengklêtos, literalmente o pastor não será reprovado, em outras palavras será “inculpável”, ou estará “livre de ressalvas”, “sem ter por onde pegar”. Logicamente irrepreensível não se refere a uma perfeição impecável, caso contrário nenhum homem estaria qualificado para o ofício, mas a um padrão elevado e maduro que implica em um exemplo coerente. É exigência de Deus que seu despenseiro viva de maneira santa, de tal forma que sua pregação nunca seja contraditória ao seu estilo de vida, que suas faltas nunca tragam vergonha ao ministério e sua conduta não mine a confiança do rebanho no ministério de Deus.
O apóstolo Paulo entendia perfeitamente a rudeza do ministério pastoral. Sabia que deveria se apresentar sempre qualificado para o ministério dai dizer: “Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado”. I Cor. 9:27.
Deus não qualifica os não chamados e nem chama os nãos qualificados.
5.     Porque a imoralidade sexual do pastor leva a igreja a ser envergonhada.
Como a igreja pode ser padrão para o mundo se a começar por sua liderança a imoralidade é vivida e aceita como normal? Como falar de moral e apontar para um patamar superior se sua liderança já rolou ladeira abaixo? A igreja perde seu poder de salgar e iluminar quando sua liderança se tornar insípida e sem luz. O pastor é o cartão de visitas de uma igreja. Tal pastor, tal igreja. A estatura moral e intelectual de uma igreja nunca será maior que a de seu pastor. Uma igreja nunca excederá a estatura de seu pastor.  Um pastor que desonra uma igreja caindo em pecado sexual a está empurrando ladeira abaixo da vergonha. Esta igreja será desprezada pela comunidade na qual está inserida. Sua voz terá sido arrancada pelo pecado de seu pastor.
6.     Porque muitos membros da igreja seguirão o exemplo do seu pastor.
Muitos casamentos se sustentam porque vêm nos pastores exemplos a serem seguidos. Mas se a liderança rompe com sua família qual exemplo terão para seguir? Com qual moral pastores divorciados aconselharão casais em crise? Mas acho muito difícil que alguém que passe por uma crise conjugal busque aconselhamento com aquele que não conseguiu levar seu lar adiante.
         Termino com uma palavra para os pastores.
·        Que tenhamos a firmeza de permanecermos fieis à nossas esposas diante dos apelos do mundo, da carne e do diabo.
·        Que diante das crises conjugais encontremos na oração, na Palavra e no dialogo os caminhos da reconstrução de nossos lares.
·        Que no embate da luta tenhamos um companheiro fiel e idôneo em que possamos confiar e partilhar nossos temores e dores.
·        Quando as ondas da vida tentarem afundar nossas famílias, que possamos falar com aquele que acalma o mar.
·        Que possamos esperar o agir do Senhor e não nos precipitarmos no caminho do divórcio.
·        Nem sempre nossa visão de uma situação corresponde à realidade. Não confiemos em nossos sentimentos, mas nos fiemos na Palavra.
·        Lembremo-nos que maior é Deus.
·        Voltem-nos para a Palavra que diz que: “Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes em várias tentações; Sabendo que a prova da vossa fé opera a paciência. Tenha, porém, a paciência a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, sem faltar em coisa alguma”. Tg. 1:2-4
·        Que esteja claro para nós que o Senhor nosso Deus é soberano e tudo dirige e age para o nosso bem.

SOLI DEO GLRIA NUNC ET SEMPER

Pr. Luiz Fernando R. de Souza

10 setembro 2017

UM POUCO DE TEOLOGIA - O TEMPO ESCATOLÓGICO REALIZADO POR CRISTO

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INTRODUÇÃO
Dentro da teologia de Paulo a encarnação de Cristo inaugurou uma nova era ao mesmo tempo que encerrou outra.
Cristo, para Paulo, era o inaugurador de um tempo onde a igreja deveria viver e experimentar um andar no Espírito.
Por isso, diante do que Paulo expõe em suas cartas é de se estranhar o modo como a igreja vive em nossos dias.
Vamos olhar alguns apontamentos sobre este novo tempo introduzido por Cristo e a novidade de vida relacionado com este tempo.

I – UM NOVO TEMPO

a) A Plenitude do Tempo

Gal. 4:4 “Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei”.

Ef. 1:9-10 “Descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo, De tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra”.

Com “plenitude do tempo” não está se falando, apenas, da maturação de uma determinada questão dentro da grande estrutura da história da redenção, mas o cumprimento do tempo num sentido absoluto. O tempo do mundo chegou a uma conclusão com o advento de Cristo. Independentemente de quanto esse tempo ainda exista temporalmente, ou seja, o quanto o perfeito ainda aguarda o futuro, o pleroma dos tempos é tratado aqui como um acontecimento já ocorrido e assim, em principio, já resolvido.
Esse início de um grande tempo de salvação é afirmado com clareza em II Cor. 6:2 “porque diz: No tempo aceitável te escutei e no dia da salvação te socorri; eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação”.
Aqui deve-se entender que as expressões: “tempo sobre-modo oportuno” e “dia da salvação” não são, simplesmente, um determinado acontecimento salvador ou uma oportunidade que deve ser usada e que, talvez, venha a desaparecer novamente.
Não deseja comunicar outra coisa senão que a vinda decisiva e há muito esperada de Deus finalmente raiou, a hora das horas, o dia da salvação no sentido realizador e escatológico da palavra.
Essa intenção fica clara quando Paulo escreve da seguinte maneira a partir do contexto anterior sobre a grande mudança que chegou com a morte e ressurreição de Cristo: “Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”. II Cor. 5:17.
Quando se fala aqui de “coisas novas” a intenção não é transmitir apenas um sentido individual (“uma nova criatura”), mas deve-se pensar, sim, no novo mundo da recriação que Deus fez irromper em Cristo e no qual estão incluídos todos os que estão em Cristo.
Observe os termos: “As coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” e do significado pleno que deve ser atribuído aqui a “novo” e “velho”. Trata-se de dois mundos, não apenas num sentido espiritual, mas também histórico-redentor. As “coisas antigas” representam o mundo que não foi redimido e que se encontra em sofrimento e pecado; as “novas” são o tempo da salvação e a recriação que se iniciaram com a ressurreição de Cristo. Aquele que está em Cristo, portanto, é nova criação; ele participa desse novo mundo de Deus e pertence a ele.

Vamos observar um termo predileto utilizado por Paulo chamado mistério.
Rm. 16:25-26
Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar, segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério guardado em silêncio desde os tempos eternos,
mas agora manifesto e, por meio das Escrituras proféticas, segundo o mandamento do Deus, eterno, dado a conhecer a todas as nações para obediência da fé”.
Col. 1:26
o mistério que esteve oculto dos séculos, e das gerações; mas agora foi manifesto aos seus santos”.
Col. 2:2, 3
para que os seus corações sejam animados, estando unidos em amor, e enriquecidos da plenitude do entendimento para o pleno conhecimento do mistério de Deus-Cristo, no qual estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência.
Ef. 1:9-10
fazendo-nos conhecer o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que nele propôs para a dispensação da plenitude dos tempos, de fazer convergir em Cristo todas as coisas, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra,”.
II Tm. 1:9-10
que nos salvou, e chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos,
e que agora se manifestou pelo aparecimento de nosso Salvador Cristo Jesus, o qual destruiu a morte, e trouxe à luz a vida e a imortalidade pelo evangelho,”.
Tt. 1:2-3
na esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos eternos,
e no tempo próprio manifestou a sua palavra, mediante a pregação que me foi confiada segundo o mandamento de Deus, nosso Salvador;”.
Aqui o termo mistério deve ser bem entendido. No grego clássico significava algo que não permaneceria oculto para sempre, mas que havia sido revelado. Destaco o verbo revelar que não significa apenas divulgação de uma verdade ou informação sobre determinados assuntos ou acontecimentos, mas o próprio aparecimento, o ato de tornar realidade histórica o que não existia como tal, mas que era mantido por Deus, oculto e retido. Como tal, a saber, como o plano redentor de Deus realizado.
Aqui o que foi revelado não foi o conhecimento do plano redentor de Deus, como conhecimento oculto, mas o próprio ato ou acontecimento histórico, na história, ou seja, a cruz do Calvário.
Isso aponta para o cumprimento de um tempo escatológico tendo em vista a plenitude dos tempos.
Os termos “estivera oculto” “outrora oculta” contrasta como o novo, o agora da revelação, o fim das gerações de espera, a intervenção final de Deus de acordo com seu plano e promessa.
A revelação do mistério é o verdadeiro conteúdo do evangelho (Rm. 16:26). Assim a própria pregação de Paulo é de cunho escatológico, ou seja, traz o tempo de salvação para seus ouvintes, ou seja, é a anunciação, a proclamação da vinda da salvação.
Aquilo que o Senhor Jesus Cristo proclamou dizendo, “o tempo está cumprido” (Mc. 1:15) é idêntico ao que Paulo chama de “plenitude do tempo”.
É a bem-aventurança que Jesus declara para seus discípulos em Mt. 13:11,17.
Ele, respondendo, disse-lhes: Porque a vós e dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes é dado;
Porque em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vós vedes, e não o viram; e ouvir o que vós ouvis, e não o ouviram”.

Tanto para Paulo como para os demais discípulos, o advento de Cristo, seu aparecimento, morte e ressurreição, bem como os dons do Espírito Santo eram, acima de tudo, o cumprimento da promessa, o início da consumação da história da redenção.
Foi assim que Pedro explicou tudo isso de uma só vez no Pentecostes à luz da profecia de Joel (At. 2:17) e era assim que a igreja vivia consciente de que havia presenciado o raiar do dia da salvação e que era o povo de Deus do grande fim dos tempos. Por isso a igreja primitiva vivia na expectativa do retorno imediato de Cristo naqueles dias.

II – O MISTÉRIO DE CRISTO. ESCATOLOGIA E CRISTOLOGIA.

A pregação de Paulo é definida e explicada pelo advento e revelação de Jesus Cristo. A “escatologia” de Paulo é “Cristo-escatologia” e
“a abordagem paulina da história é fé em Cristo”.
Paulo via a história somente em relação a Cristo. Não via a história como somente a construção das sociedades humanas pelos homens, mas, a história adquiria significado dentro da obra redentora de Cristo que inaugurava um novo tempo. Toda a história é o palco da atuação de Deus para a realização de Sua salvação.
A pregação de Paulo é melhor definida por aquilo que ocorreu em Cristo, pelos atos de Deus que Cristo carregou em si para a realização do plano redentor e dos quais a morte e a ressurreição de Cristo constituem o centro de controle total.
A cristologia de Paulo é uma cristologia de fatos redentores.
Essa abordagem de Paulo sobre Cristo o coloca dentro de uma relação orgânica com a revelação do A. Testamento. O que aconteceu em Cristo constitui o término e o cumprimento da grande série de atos redentores divinos na história de Israel. Ou seja, o que aconteceu em Cristo deve ser entendido como o cumprimento das promessas de Deus a Israel.
Quando olhamos a obra de Cristo em termos do homem como indivíduo erramos em nossa avaliação. Precisamos olhar a obra de Cristo em termos histórico-redentor-escatológico, para compreendermos que Deus opera para a salvação tanto da criação física quanto humana.
Cristo é o cumprimento da promessa feita a Abraão (Gl. 3:8, 16,19), Ele o portador escatológico que traz a salvação. Ele o cumprimento do plano redentor de Deus para o mundo todo e seu futuro.
O tempo passado, antes de Cristo, não deve ser visto como tempos de escuridão e ignorância, mas como tempo de preparação para a obra de Deus ao longo dos séculos.
Para Paulo o cumprimento das profecias e a plenitude dos tempos convivem com o presente tempo do mundo. É o já e o ainda não da teologia. Existe ai uma tensão.

III – EM CRISTO, COM CRISTO. O VELHO E O NOVO HOMEM.

Quando Paulo utiliza a expressão “em Cristo”, ele está enfatizando uma unidade corporativa entre Cristo e os seus.
Em II Cor. 5:17 “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. Paulo nos dá uma mostra do que essa expressão quer dizer. Tudo aquilo que aconteceu em Cristo, devido essa unidade orgânica com os seus, aconteceu a nós também. Vamos ler algumas passagens de Paulo: Rm.6:3ss; Gl.2:19; Cl. 2:12, 13, 20; 3:1,3).

Em II Cor. 5:14-17 esclarece de modo significativo e torna perceptível uma transição clara do “Cristo por nós” para o ”nós em Cristo”

SOLI DEO GLRIA NUNC ET SEMPER

Pr. Luiz Fernando R. de Souza

01 setembro 2017

ALGUNS PENSAMENTOS SOBRE O CINQUENTENÁRIO DA CONVENÇÃO BATISTA NACIONAL



Como membro de uma igreja batista nacional e pastor há mais de três décadas presenciei bons e maus momentos dentro da Convenção Batista Nacional (CBN). Experimentei parte do auge do movimento de renovação espiritual e vivi com os expoentes da denominação, o que trouxe crescimento para minha pessoa. Ao completarmos cinquenta anos de existência não poderia deixar de me manifestar diante desta data e momento.
Acredito que poderíamos ter escrito uma história bem diferente da que escrevemos e vivenciamos. 
Tudo conspirava para que a trajetória da CBN fosse um marco diferencial no meio evangélico brasileiro.
A experiência de renovação espiritual, que não era nova, mas se manifestava nova entre os Batistas Brasileiros e outras denominações históricas, era um grande diferencial e motivador para que as igrejas fossem aquecidas pelo Espírito Santo, juntamente com a preservação dos referenciais históricos e teológicos. Mas na realidade isso não aconteceu em sua totalidade. A experiência carismática aos poucos sobrepujou os referenciais históricos e teológicos e devido ao rápido crescimento da CBN somente foi observado o momento e não houve uma projeção quanto ao futuro da denominação.
Gostaria de ponderar sobre estes fatos:

1 – Depois de cinquenta anos de vida a Pneumatologia da CBN ainda é algo difuso e inconcluso. Nos primeiros momentos fomos beber no referencial experimental e teológico dos pentecostais, pois acredito que eram a fonte mais próxima e de melhor acesso. Só que o abeberar-se dessa fonte trouxe consigo os trejeitos dos pentecostais e com o tempo a eclesiologia e Pneumatologia sofreram mudanças em sua forma de ser.
Até hoje, nossas definições pneumatológicas passam pelo viés pentecostal deixando a denominação à deriva nesta área. Consequentemente distorções teológicas se apresentaram e trouxeram empobrecimento para denominação. No dia-a-dia de muitas igrejas não se consegue fazer diferenciações entre pentecostais,neopentecostais e batistas nacionais.
Até o presente momento não conseguimos gerar uma Pneumatologia que expressasse aquilo que experimentamos a cinquenta anos. O aprofundamento teológico, nesta área, parece que nunca foi buscado porque houve acomodação com aquilo que havia sido conquistado. Muitas experiências vividas nas igrejas foram tidas como oriundas do Espírito Santo, mas eram antagônicas à Palavra e nada foi feito para reverter o quadro. Isso trouxe um modus operandi acéfalo que levou a lugar algum.
Realmente na Pneumatologia poderíamos ter escrito uma outra história.

2 – Depois de cinquenta anos a Eclesiologia da CBN (igrejas várias) não se enquadrou no padrão neotestamentário. Para um grande percentual de igrejas a Eclesiologia pode ser tirada de qualquer lugar. Práticas esdrúxulas entraram e viraram normas em nossas igrejas. Cito a aceitação tácita do judaísmo pobre e empobrecedor que adentrou várias igrejas e símbolos judaicos estão presentes nos altares, paredes e púlpitos, como se Deus possuísse hoje dois povos, a igreja e Israel. Pastores usando o Quipar para serem diferentes ou para aparentar mais espiritualidade ou qualquer outra coisa. Não e incomum tocar o Shofar nas igrejas para um certo tipo de despertamento ou até atrair a presença de Deus ou mesmo demonstrar espiritualidade ou atrair o sobrenatural. Estamos “tentando costurar o véu que já foi rasgado”.
A introdução de coreografias no culto trouxe sensualidade, carnalidade e mundanidade para dentro das igrejas. Elas nada significam ou alteram o teor do culto ou seu objetivo. Não acrescentam espiritualidade nem dinâmica alguma, mas chegaram para ficar e aí estão.
E o que dizer da esquizofrenia cúltica que é praticada em centenas de igrejas? Quantas reuniões o povo é levado aos extremos das sensações e esta esquizofrenia cúltica se torna o ponto alto dos cultos.
Há pouco tempo um colega pastor me questionou o porquê de eu haver escrito em meu blog que a eclesiologia batista deve ser tirada do Novo Testamento e que isto era um princípio distintivo dos batistas. Ele disse que já era pastor da CBN há mais de 15 anos e que nunca tinha lido algo parecido. Pediu-me fontes bibliográficas. 
E o que falar da consagração de apóstolos em nosso meio? Da unção com óleo quando da consagração de alguém ao ministério pastoral? Da consagração em massa de pastores sem o menor preparo?
Realmente na Eclesiologia poderíamos ter escrito uma outra história.

3 – Depois de cinquenta anos teologicamente a CBN virou uma colcha de retalhos.
Não existe consistência alguma em termos teológicos e doutrinários. Acredita-se que a pluralidade teológica seja algo bom e distintivo. Só que essa pluralidade tem roubado o nexo histórico e teológico dentro da CBN. Não se sabe se a CBN é continuísta ou não.
Para vários pastores Cristo poderia ter pecado e consequentemente derrubado os decretos soteriológicos da Trindade. Para muitos a doutrina da Eleição é abominação.
Para um percentual muito grande de igrejas são verdadeiros os fatos das maldições hereditárias, de bênçãos e maldições, de cura interior etc., outros ainda acreditam que há poder em suas palavras. E o que dizer das campanhas de libertação onde são praticados rituais para terminar a libertação iniciada no Calvário? Na Soteriologia padecemos de grave enfermidade.
O que dizer das profecias absurdas que tentam controlar as vidas das pessoas, profecias megalomaníacas que prometem os céus na terra? O que dizer dos jargões infantis como: “Eu profetizo em sua vida.... O melhor está por vir…”
Deixei por último para mencionar o desastre da aceitação acrítica dos processos do G12. Depois de mais de 15 anos dessa experiência o que sobrou? Igrejas esfaceladas, pastores disfuncionais, ensinamentos erráticos e doentios e perda de grande parte da identidade da CBN. Tudo em nome de um pluralismo inócuo.
Realmente na Teologia poderíamos ter escrito uma outra história.

4 – Depois de cinquenta anos podemos nos alegrar porque a CBN ainda existe. Podemos nos alegrar porque a CBN ainda cresce e de algum modo tem levado a mensagem de salvação não somente dentro do Brasil, mas fora também. Contamos com milhares de pastores e igrejas com um enorme potencial. Vários centros acadêmicos, editora e uma boa estrutura para missões. Isso aponta que temos um futuro e esse futuro poderá ser escrito de forma diferente. Creio que é o momento de ponderarmos sobre o legado que será deixado para as próximas gerações de batistas nacionais.
Algumas coisas, a meu ver, podem ser feitas:
a) Olharmos nossa história e vermos onde erramos para corrigir radicalmente.
b) Preocuparmo-nos com a formação de pastores Batistas Nacionais, ou seja, precisamos forjar pastores denominacionais com um alto padrão cultural e espiritual, além de uma forte ênfase Batista que suporte os reveses do tempo.
c) Encontrar o equilíbrio na Pneumatologia rapidamente. Corrigir as distorções existente sem perdermos o fervor espiritual, missionário e teológico.
d) Dinamizarmos e atualizarmos a estrutura denominacional introduzindo mecanismos digitais e virtuais para melhor integração entre as igrejas e pastores.
e) Promover um nivelamento teológico a nível nacional entre os pastores para que falemos a mesma língua em toda nação.
f) Promover uma forte ênfase em evangelismo e missões visando a divulgação consistente do Evangelho pelo território nacional e fora dele.
g) Incentivarmos nossos jovens a buscarem graus maiores de conhecimento (Mestrado – Doutorados – Pós Doutorado) para se tornarem formadores de opiniões e tendências nas universidades deste país.
Poderia escrever um pouco mais, mas deixo estes rabiscos como preambulo para outrem.
Sim, existe um futuro para CBN e nós somos este futuro. O que plantarmos agora será colhido amanhã.
Que Deus nos ajude.

SOLI DEO GLORIA NUNC ET SEMPER


Pr. Luiz Fernando R. de Souza