27 abril 2014

PRÁTICAS MUNDANAS NÃO DINAMIZAM A IGREJA

Replicando 
Tenho visto e ouvido falar da introdução de práticas mundanas nos cultos como forma de diferenciação e inovação. Práticas nunca antes imaginadas e acalentadas pelos cristãos entram pela porta da frente das igrejas e encontram abrigo na mentalidade infantil e distorcida de muitos líderes. Vi um vídeo onde um grupo de capoeira se apresenta no meio de um culto e ali foram praticadas seus rituais e danças como se fosse em uma praça pública. Tudo isso em nome do diferente e do inovador. Perguntei-me o porque daquilo tudo. Não consegui respostas minimamente razoáveis. A prática de esporte nada conflita com o culto a Deus, mas introduzir isto em um culto no mínimo é anular o culto. Esses acréscimos que em outros lugares de culto chegam a contar com lutas diversas antes do culto e etc. demonstram a falência da igreja gospel. A verdeira igreja não se submete a isso.
Ao nos convencermos que algo precisa mudar dentro da igreja e este algo não está claro para nós, tentamos de todas as formas apresentar alguma alternativa ao status quo reinante. Essa mudança precisa vir de qualquer maneira, pois, existe a convicção ou sensação que algo está errado e precisa mudar. Muitas vezes a mudança que tanto almejamos para a igreja deveria começar dentro de nós mesmos. Normalmente o homem sempre vai transferir para outrem sua angústia existencial ou seu desassossego interior. Ao invés de tomar a auto responsabilidade como padrão de vida e dar novos rumos à sua existência, vai achando culpados para suas crises pessoais, como fez Adão no paraíso quando Deus o interpelou e ele não tendo respostas jogou para Eva a responsabilidade da crise instalada. Daí vivenciarmos coisas desagradáveis e inúteis em nome de Deus como se tudo fosse normal.
Um dos lemas posteriores da Reforma Protestante foi: “Ecclesia Reformata et Semper Reformanda Est” (Igreja Reformada Sempre se Reformando). Verdade que precisamos desesperadamente resgatar e viver em nossos dias. Para muitos reformar a igreja implica em afrouxar a teologia, desprezar a doutrina e introduzir novos elementos na liturgia. Entendem que uma igreja que se reforma deve ser criativa, no sentido de ser bastante aberta nas questões doutrinária, metodológica e cúltica. Tentam trazer vida para um sistema moribundo através de coreografias, misticismos exacerbados e comportamentos limítrofes com o paganismo, como se isso provocasse a reforma necessária. O grande equívoco nesta forma de pensamento e comportamento é que quando esta máxima “Ecclesia Reformata et Semper Reformanda Est”, de autoria do reformador holandês Gisbertus Voetius (1589-1676) e já vivida por Lutero nos primórdios da Reforma em 1517, não tinha a intensão de inovar a maneira de ser, haja vista, os excessos de inovações introduzidos pela igreja romana ao longo dos séculos, culminando nas vendas de indulgências e relíquias, coisas que Lutero lutou para extirpar da igreja. Na realidade Lutero percebeu que reformar não era inovar a sua teologia ou a sua liturgia, mas sim, restaurar e redescobrir aquilo que havia se perdido ao longo de mais de 1000 anos de história chamado erroneamente idade das trevas, quando a Bíblia já havia deixado de ser o fundamento doutrinário da igreja e prevaleciam as tradições resultantes das decisões dos concílios e interesses financeiros e políticos dos papas. Logo, o resultado da Reforma Protestante no século XVI não foi um movimento inovador, mas restaurador, purificador, esterilizante, um retorno às origens, um retorno à Palavra de Deus, uma busca incessante pela simplicidade bíblica, que hoje em dia desapareceu de nosso meio.
Por vezes, o lema supracitado tem sido usado de maneira equivocada e totalmente desvirtuada. Muitos o utilizam como pretexto para introduzir novidades, modismos e ideias politicamente corretas na igreja. Aqui, volto a repetir, estar sempre se reformando não é sempre inovando ou buscando incessantemente criatividade. Isso é próprio dos meios de comunicações que precisam diversificar constantemente para não perder seu publico. Ao nos conformarmos com a mentalidade do mundo teremos como corolário um afrouxamento litúrgico, teológico e abriremos as portas para o mundanismo. Estar sempre se reformando é buscar continuamente o retorno ao cristianismo bíblico e básico, reafirmando as doutrinas e práticas das Escrituras Sagradas.
Creio que esta busca alucinada pelo novo e inovador tem levado a igreja esquecer que seu poder dinamizador não está no desconstrutivismo litúrgico ou teológico, na introdução de praticas exóticas como meio de atrair ou descontrair uma plateia, mas na dinâmica do Espirito Santo. Este Espirito dinamizador é que quebra a monotonia da religiosidade, expulsa o mundanismo da igreja e a enche de vida. Esse Espirito que provoca ações e reações dignas de Deus e para louvor de Sua glória. É esse Espírito Santo que abre as comportas interiores para fluírem os rios de águas vivas.
Sim, o lema “Ecclesia Reformata et Semper Reformanda Est” está vivo e pede passagem. Ele clama por ser vivido pelo povo de Deus. Desafia-nos a redescobrir e vivermos a simplicidade e pureza das Escrituras Sagradas no poder do Espírito. Assim sendo, experimentaremos novidade vida. Nossos cultos não serão monótonos. Nossas orações serão arrebatadoras. A pregação da Palavra será o centro de nossos cultos. E no final de tudo Soli Deo Gloria.

Soli Deo Gloria

Pr. Luiz Fernando R. de Souza

17 abril 2014

CONGRESSO – POR UMA DANÇA QUE ESTABELEÇA O REINO – MAIS UMA BOBAGEM

 Congresso de Dança 2014
CONGRESSO – POR UMA DANÇA QUE ESTABELEÇA O REINO – MAIS UMA BOBAGEM
Não costumo visitar sites de grandes igrejas por entender que com raríssimas exceções não se encontra quase nada de interessante. Mas visitando um destes sites não pude deixar de ver uma chamada, no mínimo infantil ou totalmente descabida, que anuncia um congresso de dança gospel. Li atentamente a chamada (texto) da pra. que lidera tal congresso, acho eu, e não pude deixar de perceber que se trata de um texto infantil, desprovido de qualquer base bíblica, eivado de heresias e que portanto provem de alguém com total desconhecimento de Bíblia, teologia, filosofia, história etc. Mas nada a estranhar porque isso faz parte do cardápio oferecido àqueles incautos que bebem água suja ao invés da pura que vem da Palavra.
Logo no início da chamada para tal congresso celestial a pra. diz que nos dias do evento estarão unidos para adorar, bendizer e atrair Deus. Fico me perguntando em como um congresso de dança gospel atrai Deus? O que em nós atrai Deus? Tal afirmação aponta para uma grotesca heresia e um descompromisso com a Palavra, pois a mesma nos diz que é Ele que nos atrai a si e não nós o atraímos. Que tipo de sacrifício ou modismo tem poder de atrair Deus? Realmente a fundamentação começa mal e mostra o fracasso do esforço humano nas coisas do Reino.

Veja está pérola de valor inestimável: “Nos reuniremos porque desejamos que o Rei tome seu trono, expanda seu governo e retorne para buscar os que o amam de todo coração, alma e entendimento”.
O Rei tomar seu trono? Por acaso Ele o perdeu ou esqueceu onde se encontra ou mesmo depende do homem para tê-lo? Deus algum dia abandonou seu trono e precisa que o ajudemos a consegui-lo de volta? A Palavra nos diz que o Senhor está assentado em um alto e sublime trono. O verbo está no presente nunca no passado. Se precisamos fazer um congresso de dança gospel para Deus tomar seu trono, pergunto: Quem está assentado agora no trono? Quem governa o universo? Hebreus 1:3 nos diz que: “O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas.”
Vejamos estes texto neotestamentários só para vermos como essa infantilidade passa longe da Palavra de Deus e traz vergonha para seu Nome.
Heb. 1:8 – “Mas, do Filho, diz: O Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; Cetro de equidade é o cetro do teu reino”. Não diz que o trono precisa ser tomado em algum momento.
Heb. 8:1 – “Ora, a suma do que temos dito é que temos um sumo sacerdote tal, que está assentado nos céus à destra do trono da majestade”. O texto é claro demais.
Apoc. 3:21 – “Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono.
Continuando com o texto da chamada temos o seguinte: expanda seu governo.
Desconheço essa forma de pensamento e comportamento durante os mais de 2000 anos de história da igreja tenha sido utilizada. Mas parece que por falta de conteúdo e do que dizer, fala-se qualquer coisa que aparente sabedoria ou espiritualidade e ai tudo fica bem. O Reino de Deus não se expande através de dança. Isso não tem cabimento. A expansão do Reino se dá através da chegada das boas novas de salvação proclamadas no poder do Espirito Santo. Essa afirmação da pastora tira a igreja de sua função precípua de evangelizar tornando-a cativa em 4 paredes. A igreja precisa mostrar sua cara ao mundo e dizer o motivo de sua existência e não privatizar Deus no íntimo do homem ou amordaça-lo dentro de templos.
Agora o complemento da afirmação da chamada causa mais espanto:  e retorne para buscar os que o amam de todo coração, alma e entendimento.
Retorne para buscar os que o amam? Quando Deus partiu para retornar? Será que autora do texto está falando da segunda volta de Cristo? O apóstolo Paulo nos diz em sua carta aos Romanos que Deus opera em todas as coisas para o bem daqueles que o amam. Deus está bem presente nos acontecimentos da vida levando-os a bons termos para o bem daqueles que o amam. Deus nunca se ausenta porque não pode se ausentar, porque isso anularia sua infinitude, sua onipresença, seu amor por nós. Confunde-se figuras de linguagem com afirmativas e ai se apresenta desconhecimento dos gêneros e figuras empregados na escrita das Escrituras.
Deus nunca abandonou aqueles que o amam porque não pode negar a si mesmo. É sua promessa escrita em Sua Palavra que Ele estaria conosco até a consumação dos séculos.
O pior é que as bobagens não param e somente pioram, veja isto:
Este é um encontro para os que desejam mergulhar e se posicionar em meio ao grande propósito de Deus para sua criação...”.
Desde quando dança faz alguém mergulhar e se posicionar em meio ao grande propósito de Deus para sua criação? E é preciso perguntar, qual é mesmo esse grande propósito de Deus para sua criação? Creio que dificilmente a autora do texto saberia dizer. Que afirmação sem cabimento e desprovida de lógica e fundamentação!
Agora essa afirmativa é sensacionalmente pueril: “É o Reino vindo em nossa direção, tomando forma dentro de nós, se expandindo sobre a Terra, até que tudo tenha fim, e enfim, estejamos somente com Ele.
Quer dizer que dança gospel implica no Reino vindo em nossa direção? Acho que aqui cabe uma grande rizada e é até bom porque descontrai e alegra o ambiente.
O Reino já está em nós, dentro de nós, nunca vindo em nossa direção nem se expandindo através de dança ou quaisquer tipos de encontros gospel. Gostaria de sugerir dois bons livros sobre o Reino de Deus – A Vinda do Reino de Herman Ridderbos – O Evangelho do Reino de George Eldon Ladd. Creio que se lermos estes livros e os confrontarmos com a Palavra aprenderemos claramente o que é o Reino de Deus, seus aspectos cumpridos, sua presença e consumação final.
Para terminar dentre vários temas para workshops ou oficinas está um que me chamou atenção e diz respeito em relação a dança e o retorno de Cristo. Gostaria de saber como será fundamentada esta palestra. Pode ser que haja uma revelação extraordinária vinda dos céus que será dita naqueles dias do congresso. Coisas que nem anjos intentaram saber ou tomaram conhecimento. Mas acho que dá para afirmar sem medo de errar que serão ensinamentos erráticos, com utilização de versículos da Palavra fora de seus contextos e mesmo interpretações que forçam a barra distorcendo o significado dos textos citados, adaptando textos bíblicos a argumentos espúrios.
Para quem gosta de si alimentar daquilo que o filho pródigo se alimentou antes voltar para casa de seu pai, será um grande momento.

Soli Deo Gloria

Pr. Luiz Fernando R. de Souza