26 março 2010

POR QUE SÓ A GRAÇA – SOLA GRATIA

Diante do que temos visto como pregação do evangelho nessa terra Brasiles, podemos observar que tais pregadores e suas pregações abdicaram da Graça. Esforçam-se por ofertar um evangelho antropocêntrico e secular a ponto de entronizar o homem e destronar Deus. Quando observo as afirmações dos tele-pastores fico a me perguntar quem está no trono realmente? Afirmações que entram no domínio do herege e do insulto ao criador. Outro dia um tele-pastor pregava e dizia: “o melhor de Deus ainda está por vir”. Entendi que talvez ele quisesse encorajar seus ouvintes a continuar na luta da vida porque Deus ainda tinha coisas boas a dar. Mas fiquei incomodado com sua afirmativa. Se o melhor de Deus está por vir, então Deus não fez o melhor no dia de ontem e nem no dia de hoje. Se o melhor de Deus está por vir, então Deus está melhorando em seu Ser, pois, conseguirá fazer melhor amanhã em relação ao que fez hoje. Não acredito que tal tele-pastor seja um adepto do Teísmo Aberto, pois, acredito que nem saiba do que se trata, mas pisou em mais de 2000 anos de teologia, desprezou aquilo que os grandes defendiam no passado e anulou a Graça de Deus. Deus nunca fará o melhor amanhã. Ele sempre faz o melhor a cada momento, pois, Ele não cresce em poder ou em sabedoria, mas aplica seu poder e sabedoria através de sua Graça e isso sempre da melhor maneira possível. A Graça de Deus nunca oferecerá o melhor de Deus amanhã, ela o faz hoje, agora.

Tais afirmações são inconsistentes com a Graça de Deus. Somente a Graça é suficiente para restabelecer o equilíbrio interno no homem. Somente a Graça é suficiente para destronar o pecado da vida do homem e libertá-lo para servir a Deus. SOLA GRATIA.

Permeou a igreja um ensinamento que o cristão deve reivindicar, exigir, cobrar e determinar os benefícios de Deus. Se assim for, logo já não é pela Graça, mas pelo agir do homem. Quando entendemos a doutrina da Graça não determinamos nada, mas humildemente pedimos ao criador que nos abençoe. Outro dia fui orar em certa igreja e o pastor pediu que eu fizesse uma oração poderosa. Antes de orar disse a Deus: “não consigo fazer oração poderosa, pois, não tenho poder diante de ti Senhor. Humildemente orarei ao Senhor Todo Poderoso e se aprouver a Ti responder a glória será tua”.

A graça coloca o homem em seu devido lugar, o de servo que nada tem a determinar ou exigir, mas que clama por misericórdia.

A Graça nos faz participantes das vitórias de Cristo. Paulo diz em Rom 8:37: “que somos mais do que vencedores por meio daquele que nos amou”. Por meio daquele, por intermédio daquele, através daquele que nos amou. Sim nossas vitórias são as vitórias de Cristo e elas são reais e factíveis. Quando vencemos em alguma área de nossas vidas nada mais significa do que Deus nos ter concedido um pouco da vitória de Cristo. Ele disse: “tenham bom ânimo, eu venci”.

O apóstolo João nos diz que: “todo aquele que vence o mundo...”. Aqui neste texto o neutro é que chama a atenção. A ênfase está não na pessoa vencedora, mas no poder vencedor que opera através da pessoa. Por que a Graça sempre aponta para Deus e seu poder.

A Graça nos faz descansar na Soberania de Deus. A Graça nos faz fortes nas horas difíceis, pois, nos mostra a Soberania de Deus. Deus está no controle de todas as coisas e lemos no livro de Jó Cap. 42:2 “Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido”.

Nada chega até nós sem que Deus o tenha permitido e quando isso acontece podemos sempre crer que o plano está se realizando em nossas vidas.

Isso deveria nos atrair para os braços do Pai e ali acharmos descanso e segurança. Olhamos para as vicissitudes da vida e nelas nos alegramos porque sabemos que o Senhor trabalha através delas para nossa edificação. Paulo nos diz em Rom. 8:28 “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”. Em todas as coisas Deus trabalha para aqueles que o amam. Observe que esse operar de Deus é exclusivo para aqueles que O amam. Meu irmão se você ama a Deus pode ficar tranqüilo que Ele está usando todas as coisas, operando através de cada circunstância da vida para seu bem. A Graça nos mostra com clareza a Soberania de Deus.

A Graça de Deus nos encoraja a continuar. Se Deus dispensa seu favor aos que são seus, então podemos estar confiantes a continuar a jornada da vida sem temor. Aquele que já garantiu o fim também suprirá os meios. A Graça nos faz repetir aquilo que Samuel disse: “Ebenezer, até aqui nos ajudou o Senhor”. E podemos afirmar sem medo de errar: “e continuará a nos ajudar”.

A Graça nos diz para seguirmos em frente, pois, Ele já foi à nossa frente e conhece todo o caminho. Jesus nunca nos levará onde Ele não tenha estado.

Precisamos nos alegrar na Graça. Precisamos descansar na Graça. Somente a Graça nos aproxima de Deus.

Soli Deo Glória

Pr. Luiz Fernando R. de Souza

20 março 2010

PASTORES VOADORES

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Desafiando a crise, líderes evangélicos brasileiros investem na compra de aviões particulares
Dizem que um homem pode ser medido pela grandiosidade dos seus sonhos. Se é mesmo assim, um seleto grupo de ministros do Evangelho anda sonhando alto – literalmente.
Dizem que um homem pode ser medido pela grandiosidade dos seus sonhos. Se é mesmo assim, um seleto grupo de ministros do Evangelho anda sonhando alto – literalmente. Desde o ano passado, diversos pastores brasileiros andam cruzando os céus em aviões próprios, um luxo antes somente reservado a altos executivos, atletas milionários e sheiks do petróleo. A justificativa para as aquisições, algumas na faixa das dezenas de milhões de dólares, é quase sempre a mesma: a necessidade de maior autonomia e disponibilidade para realizar a obra de Deus, o que, no caso dos grandes líderes, demanda constantes deslocamentos pelo país e exterior a fim de dar conta de pregações e participações em palestras e eventos de todo tipo. Eles realmente estão voando alto.

O empresário e bispo Edir Macedo, dirigente da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) tem feito a ponte aérea Brasil – Estados Unidos a bordo de um confortável Global Express, avaliado no mercado aeronáutico por US$ 50 milhões (cerca de R$ 85 milhões). Para comparar, o preço é semelhante ao do Rafale, o caça-bombardeiro francês que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sonha comprar para as Forças Armadas brasileiras. Equipado com sala de estar, dois banheiros, minibar e lavabo, além de um confortável sofá, o jato permite deslocamentos dos mais confortáveis até os EUA, onde Macedo mantém residência, e tem autonomia suficiente para levá-lo à Europa ou à África. O Global, adquirido em setembro numa troca por um modelo mais antigo, veio juntar-se à frota da Alliance Jet, empresa integrada ao grupo Universal e que já possuía um Falcon 2000 e um Citation X, juntos avaliados em 40 milhões de dólares.
Edir Macedo justifica o uso de aviões particulares dizendo que precisa levar a Palavra de Deus pelas nações onde a igreja atua, que já são mais de 120, e também para evitar transtornos aos passageiros dos aviões comerciais, pois sua pessoa costuma atrair muita atenção da mídia. Pode haver também outros motivos. Foi em voos particulares que a Polícia Federal descobriu, em 2005, que deputados e empresários ligados à Iurd transportavam dinheiro em espécie, no episódio que ficou conhecido como o caso das malas. Os valores, explicou a igreja na época, teriam sido arrecadados nos cultos e eram transportados dessa maneira por questão de segurança e praticidade até São Paulo e Rio de Janeiro, onde a denominação tem sua administração.
Já o missionário R.R.Soares, mais discreto que o cunhado Macedo, não fez alarde da aquisição do turboélice King Air 350, em novembro, fato noticiado pela revista Veja.. Avaliado em cerca de R$ 9 milhões, a aeronave transporta oito passageiros. Como tem uma agenda das mais apertadas, Soares viaja praticamente toda semana pelos mais de mil templos que sua Igreja Internacional da Graça de Deus tem no país, além de realizar cruzadas e gravar programas diários para a TV. Ele realmente tem pensado alto: a igreja também mantém parceria com a empresa de aviação Ocean Air, através da qual um percentual sobre cada passagem comprada por um membro da Graça reverte para a denominação.
“Conquista” – O que chama a atenção no aeroclube dos pastores são as justificativas espirituais para a compra das aeronaves. Renê Terra Nova, apóstolo do Ministério Internacional da Restauração em Manaus (AM) e um dos grandes divulgadores do movimento G12 no Brasil, conta que o seu Falcon é fruto de profecias de grandes homens de Deus como o pastor e conferencista americano Mike Murdock. Em abril de 2009, durante um evento em que ambos estavam, Murdock incentivou uma campanha de doações a fim de que Terra Nova pudesse realizar seu “sonho”. Após chamar Terra Nova à frente, ele mesmo anunciou que ofertaria R$ 10 mil reais, atitude logo seguida por dezenas de pessoas. O avião foi comprado em julho. Dizendo-se “constrangido” com a atitude, Terra Nova admitiu que aquele era seu desejo e que se submetia ao que considerava a vontade de Deus. “O Senhor é testemunha que este avião não é para vaidade, mas para estimular que outros ministérios a que também tenham aviões e, juntos, possamos voar para as nações da terra, pregando o evangelho de Jesus. Assim está estabelecido”, diz o líder em seu site.
“Conquista” e “resultado da fé” também foram as expressões usadas pelo pastor Samuel Câmara, da Assembleia de Deus de São José dos Campos (SP), para comemorar a compra de seu King Air C90, de quatro lugares. O religioso, que durante anos liderou a Assembleia de Deus em Belém (PA) – onde montou a Rede Boas Novas, conglomerado de rádio e TV que cobre vinte estados brasileiros –, se diz muito grato a Deus pela bênção, avaliada em R$ 8,5 milhões. Ele espera juntar-se a outros líderes para montar “uma esquadrilha de aviões para tocar o mundo todo”. Ano passado, Câmara também esteve no noticiário pelas denúncias que fez contra supostas irregularidades nas eleições para a presidência da Convenção Geral das Assembleias de Deus (CGADB).
Mas a aquisição aérea que mais chamou a atenção, dentro e fora do meio evangélico, foi concretizada pelo famoso pastor e apresentador de TV Silas Malafaia, da Assembleia de Deus da Penha, no Rio. Possuir uma aeronave própria era um objetivo anunciado pelo líder já há algum tempo, inclusive em seu programa Vitória em Cristo, um dos campeões de audiência na telinha evangélica. Além dos insistentes pedidos por ofertas para manter-se no ar, Malafaia constantemente tocava no assunto avião em suas falas. O empurrão que faltava foi dado pelo pastor americano Morris Cerullo, outro profeta da prosperidade proprietário de um luxuoso Gulstream G4. Num dos programas, levado ao ar em agosto, Cerullo admoestou os telespectadores a desafiar a crise global e participar de uma campanha de doações ao colega brasileiro – um chamado “desafio profético”, no valor de 900 reais, estipulado graças a uma curiosa aritmética que associava a cifra ao ano de 2009.
Aparentemente surpreso, Silas Malafaia assentiu com o pedido. Não se sabe quanto foi arrecadado a partir dali, mas o fato é que em dezembro o pastor anunciou que o negócio foi fechado por cerca de US$ 12 milhões, cerca de 19 milhões de reais. Trata-se de um jato executivo modelo Cessna com pouco uso. Um “negócio espetacular”, na descrição do próprio. Bastante combatido pela maneira ostensiva com que pede ofertas para seu ministério, o pastor Malafaia, que dirige também a Editora Central Gospel, recorre à consagrada oratória para se defender: “Quem critica não faz nada. Você conhece alguma coisa que algum crítico construiu? Crítico é um recalcado com o sucesso da obra alheia.”
Fonte: Cristianismo Hoje
E pensar que o Senhor Jesus entrou em Jerusalém montado em um jumento emprestado!


Soli Deo Glória.

Pr. Luiz Fernando R. de Souza

18 março 2010

POR QUE AINDA VEMOS ESTAS COISAS?


Por que ainda temos visto estas coisas?

Com mais de 2000 anos de História da Teologia. Com mais de oito concílios mundiais reunidos. Com milhões de livros sobre doutrina e teologia, por que ainda vemos estas coisas?

Vivemos um retrocesso no mundo eclesiástico. Vivemos uma inadimplência de boa doutrina e unção do Espírito Santo. As igrejas deixaram de lado a Sã Doutrina e se enveredaram por caminhos tortuosos que somente a levam para o abismo do pragmatismo. O apóstolo Paulo disse a Timóteo: "Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem". I Tm. 4:16.

Essa inadimplência doutrinária e teológica empurra a igreja para o misticismo e para idolatria. Hoje, com certeza, a igreja evangélica brasileira é idólatra. Seus deuses se materializam nas formas de dinheiro, busca alucinante por solução de problemas, vendas de relíquias gospel e profecias auto-induzidas.

Parece que existe um afastamento proposital da Sã Doutrina por parte de um percentual razoável de líderes. A Escola Bíblica Dominical, que deveria ser a porta de entrada para um ensino fundamentado e sistemático, tem perdido sua força diante das concessões feitas aos novos modelos que se mostram mais atraentes. A formação de excelentes lideranças eclesiásticas deixou de ser um alvo a ser alcançado. A enxurrada de pastores sem a menor qualificação tem contribuído para um ensino doutrinário diluído, espúrio e irrelevante. A mentalidade reinante em nosso meio chega às raias do absurdo. Outro dia estava em uma lanchonete, aqui em Belo Horizonte, e vi dois jovens se levantando para sair e não pude deixar de ver em suas camisas os ditos que ali estavam: “Deus não chama os capacitados, mas capacita os chamados”. Diante deste besteirol o que dizer dos chamados de: Apóstolo Paulo, Ambrósio de Mileto, Agostinho de Hipona, Lutero, Calvino, Ulrich Zwínglio, Melanchton, João Wesley, Benjamin B. Warfield, Jonathan Edwards, Dr. Martin L. Jones, Stanley Jones, Russel Shedd etc. São pouco exemplos citados de memória para provar que os capacitados sim são chamados e tais pessoas fazem mais bem que mal. Os puritanos tinham uma máxima quanto a seus pastores: “Que sejam homens santos e cultos”. Muitos acham que estudo acurado da teologia e Bíblia levam a um esfriamento espiritual. Muitos somente enxergam incompatibilidade entre saber e fé. O que temos visto é que a ignorância teológica tem trazido vergonha para a igreja. Que o despreparo por parte do povo de Deus tem levado ao um testemunho ralo e sem poder. Que estamos banalizando o Evangelho e o descredenciando como a única mensagem salvadora e transformadora possível.

Muitos acham que pseudo-profecias são algo espetacular. No vídeo acima o cantor gospel parabeniza o pregado e líder da igreja pela qualidade da mensagem pregada. Que qualidade de mensagem? Que mensagem? Fazendo um link com o vídeo anterior poderíamos perguntar: Mensagem com qualidade é vender cajados de plásticos com azeite por R$100,00? Parece-me que o cantor gospel faz apologia a idolatria. Mas isso não me estranha, pois, tais cantores gospel precisam manter as portas abertas para novos convites, pois, têm ganhado muito dinheiro com o sistema. Precisam bajular aqueles que lhes convidam para serem bem vistos por todos. No final dão um tom de espiritualidade ao tentarem “profetizar” sobre o sucesso dos anfitriões. Talvez queiram com isso se impor como profetas de uma geração que se assemelha àquela que o Senhor Jesus disse: “Mas, a quem assemelharei esta geração? É semelhante aos meninos que se assentam nas praças, e clamam aos seus companheiros, e dizem: Tocamos-vos flauta, e não dançastes; cantamos-vos lamentações, e não chorastes”.

Realmente são profetas de uma geração de meninos insatisfeitos com tudo e todos.

Quem sabe poderíamos resgatar o princípio bereano? Quem sabe voltaríamos a privilegiar a Palavra acima de qualquer ensino meramente humano e apóstata? Quem sabe poderíamos ser ouvintes cumpridores da Palavra e não ouvintes negligentes?

Soli Deo Glória.

Pr. Luiz Fernando R. de Souza

15 março 2010

UTILIZE MÉTODOS, MAS NÃO CONFIE NELES, CONFIE EM DEUS


John Piper

Isto parece tão simples; e, como um princípio, é bastante simples. Mas, na prática, nós, pecadores, somos inclinados a confiar nos meios e não em Deus. Faço planos freqüentemente e percebo que meu entusiasmo cresce ou diminui, à medida que os planos sãoperspicazes ou não. Isto é confiar em planos e não em Deus. Sem dúvida, Ele deseja que utilizemos meios para realizar a sua obra. Todavia, é evidente que Deus não deseja que confiemos nestes meios. “O cavalo prepara-se para o dia da batalha, mas a vitória vem do Senhor” (Pv 21.31). Portanto, nossa confiança deve estar no Senhor e não em cavalos. “Uns confiam em carros, outros, em cavalos; nós, porém, nos gloriaremos em o nome do Senhor, nosso Deus” (Sl 20.7).

A vida de George Müller foi dedicada a comprovar esta verdade. Em certa ocasião, ele explicou como esta verdade se relaciona à nossa vocação. Devemos trabalhar para obter nosso sustento e suprir nossas necessidades. No entanto, não devemos confiar em nosso trabalho, e sim em Deus; pois, do contrário, sempre estaremos ansiosos pelo fato de que nossas necessidades não serão satisfeitas, se não pudermos trabalhar. Entretanto, se estamos confiando em Deus, não em nosso trabalho, e se Ele ordenar que percamos nosso trabalho, podemos estar certos de que Deus satisfará nossas necessidades; assim, não precisaremos ficar ansiosos. Eis a maneira como Müller apresentou o assunto:

Por que estou realizando este trabalho? Por que estou envolvido neste negócio ou nesta carreira? Em muitas instâncias, no que diz respeito à minha experiência, que reuni no ministério entre os crentes, durante os últimos 21 anos, creio que a resposta seria: “Estou envolvido em minha vocação terrena para que tenha meios de conseguir as coisas necessárias da vida, para mim e minha família”. No que se refere à vocação terrena dos filhos de Deus, este é o principal erro do qual resultam quase todos os demais erros nutridos por eles — não é bíblico nem correto estar envolvido em um negócio, uma profissão, uma vocação apenas para ter meios de conseguir as coisas necessárias à vida, pessoal e familiar. Mas, devemos trabalhar, porque é a vontade de Deus para nós. Isto é evidente das seguintes passagens bíblicas: 1 Tessalonicenses 4.11-12, 2 Tessalonicenses 3.10-12 e Efésios 4.28.

É verdade que o Senhor provê as necessidades da vida por intermédio de nossa vocação secular. No entanto, esta não é a razão por que devemos trabalhar; isto é bastante claro da seguinte consideração: se o possuirmos as coisas necessárias à vida dependesse de nossa capacidade de trabalhar, nunca ficaríamos livres de ansiedade, pois sempre teríamos de perguntar a nós mesmos: “O que farei quando estiver velho e não puder mais trabalhar? Ou quando, por causa de enfermidade, for incapaz de ganhar o pão de cada dia?” No entanto, se, por outro lado, estamos envolvidos em nossa vocação terrena, porque é a vontade de Deus que trabalhemos e que, fazendo isso, sejamos capazes de suprir nossas necessidades e de nossos queridos, bem como ajudar os fracos, os doentes, os idosos, os necessitados; assim, temos um motivo excelente e bíblico para dizermos: “Se agradar ao Senhor colocar-me na cama, por causa de enfermidade, ou impedir-me, por causa de doença, idade avançada ou falta de emprego, de obter o meu pão de cada dia, por meio do trabalho de minhas mãos, meus negócios ou minha profissão, Ele mesmo providenciará o necessário para mim”. (Uma Narrativa de Algumas das Realizações do Senhor para com George Müller — vol. 1, escrito por ele mesmo; Muskegon, Michigan, Dust and Ashes Publications.)

Esta verdade se aplica não somente à nossa vocação secular, mas a todas as áreas de nossa vida. Momento após momento, usamos meios para manter nossa vida e realizar os propósitos de Deus (comida, telefone, casa, remédios, carro, pedreiros, médicos, etc.). Temos de aprender a lição de não confiar nestas coisas, quando as usamos, e sim confiar em Deus. Isto se aplica também ao planejamento para a nossa igreja. Fazemos planos. Elaboramos orçamentos. Ensinamos e aconselhamos. A tentação permanente é a de confiarmos nestas coisas e não em Deus, para agir com, por intermédio de ou sem estas coisas. Portanto, enquanto sonhamos a respeito de missões e de nosso ministério, utilizemos meios, mas confiemos em Deus. As promessas dEle são as únicas coisas seguras. Todos os nossos meios são falíveis.

George Müller resumiu assim este princípio:

Este é um dos grandes segredos relacionados ao serviço bem- sucedido para o Senhor — trabalhar como se todas as coisas dependessem de nossa diligência, mas, apesar disso, não depender do menor de nossos esforços, e sim das bênçãos do Senhor” (Narrativa, vol. 2, p. 290).

Ou, conforme a Bíblia o diz: “Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Fp 2.12-13). E conforme Paulo também declara: “Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo” (1 Co 15.10).

Que o Senhor nos conceda estarmos livres de toda ansiedade, enquanto confiamos nEle, em vez de confiarmos nos meios que utilizamos.

Fonte: www.editorafiel.com.br

Soli Deo Glória.

Pr. Luiz Fernando R. de Souza

04 março 2010

ACORDE IGREJA



Existe um clamor vindo dos céus, rompendo as barreiras humanas e destronando os principados e potestades comovendo o coração da igreja para um retorno ao puro evangelho. Este clamor aponta para uma retomada de posição diante das blasfemas posturas assumidas por aqueles que tentam facilitar as decisões diante de Deus. Deus não se rebaixa para mudar seus padrões, mas eleva o homem para que este consiga viver no padrão dEle.
O que temos visto é um evangelho sem cruz e evangelho sem cruz não pode provocar arrependimento e contrição necessários para salvação. A banalização e a idiotização do evangelho tem levado a igreja para sarjeta moral, cultural e social. Nossos cantores gospel estão embriagados com as possibilidades de sucesso, vários pastores perderam a simplicidade da Palavra e estão drogados por números, as igrejas estão poluídas por uma teologia espúria e anti-bíblica. Pregadores da prosperidade envergonham e denigrem o Santo Evangelho do Senhor Jesus Cristo e o pior é que o povo de Deus tem sacrificado suas mentes, valores e princípios no altar do pragmatismo, de Mamon e da vida fácil. Nossos cultos tendem a ser festivos e atrativos para que as pessoas se sintam bem em nossos ambientes. Muitos pastores são ávidos em oferecer as bênçãos de Deus como se esse fosse o caminho real para uma transformação de vida. O que precisa ficar bem claro para todos é que não existem bençãos sem primeiro passar pela Cruz. Sem Cruz não existe vida cristã. Sem vida cristã andamos em círculos espiritualmente.
Metanoia é a palavra da vez. Metanoia deve ser para o ímpio e para o cristão. Nunca foi tão urgente um arrependimento em largas proporções. Para o cristão urge um arrependimento de obras mortas. De obras e comportamentos que ofendem a Deus. Uma Metanoia capaz de rasgar o coração e desnudar perante Deus nossas intimidades, pecados, pensamentos e sentimentos. Neste nível veremos um grande despertamento na igreja. Veremos o Espírito apontar para Jesus Cristo e engrandecê-lo. Veremos e experienciaremos uma comoção social de tal proporção que milhares e milhares virão aos pés do Salvador. Ou acordamos agora e damos meia volta ou veremos o juízo começar pela casa de Deus.
Que nós pastores alcancemos arrependimento pela nossa indiferença, descrença e abandono das verdades fundamentais da Palavra. Que choremos pelos nossos pecados. Que nós ministros do altar derramemos lágrimas diante do Todo Poderoso e alcancemos corações puros pelo Sangue de Jesus. Que voltemos a pregar o Evangelho sem fazermos barganhas para enchermos nossas igrejas. Que sejamos intransigentes com os valores do Reino e apontemos a suficiência da Palavra e do Salvador para as necessidades dos homens. Que primeiro nos alimentemos da Palavra para depois termos alimento para darmos ao povo. Que paguemos o preço de sermos a voz que clama no deserto, mas que sejamos íntegros diante dos descalabros apresentados. Que sejamos os modelos de humildade, justiça e de santidade.
Que a igreja se arrependa de ser tão mundana em nossos dias. Que a presença de Cristo seja real em nossos cultos. Que nossa adoração seja verdadeira e espiritual e não espetáculos para engrandecimento de homens e do sistema. Que olhemos para Jesus autor e consumador da nossa fé. Que a igreja seja limpa de mãos e pura de coração para subir ao monte do Senhor. Que intimidade do Senhor seja realidade para aqueles que O temem.
Que venha sobre nós a chuva do Espírito. Que Deus orvarlhe sobre nós Sua Graça e que nos encharquemos dela. Que a igreja tenha um só coração e mente para servir somente a Cristo e entronizá-lo como Senhor.

Soli Deo Glória.

Pr. Luiz Fernando R. de Souza